Especialista alerta para os riscos de infecções em procedimentos estéticos e os cuidados necessários para evitar complicações São Paulo, outubro de 2024 – Segundo dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (International Society of Aesthetic Plastic Surgery, ISAPS), o Brasil é o 2º país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. A lipoaspiração é o procedimento cirúrgico mais procurado no Brasil, seguido pelo aumento de seios, cirurgia de pálpebras e abdominoplastia. Entre as intervenções não cirúrgicas, a aplicação de toxina botulínica é a campeã, seguida por preenchimentos faciais com ácido hialurônico, depilação a laser, bioestimuladores de colágeno e tratamento para redução de gordura localizada. O aumento no número de procedimentos levou a Sociedade Brasileira de Dermatologia a divulgar um alerta destacando que a “prática de procedimentos com finalidade estética exige profundo conhecimento não só do procedimento em si, mas também sobre as possíveis intercorrências e complicações que podem ocorrer durante ou após o procedimento”. Para a Dra. Jéssica Ramos, infectologista e doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP), a preocupação é pertinente. “Até mesmo procedimentos considerados simples podem levar a sérios problemas de saúde se não forem realizados por profissionais qualificados ou se não seguirem rigorosamente as normas de de higiene (trocar por segurança?!?) necessárias” , explica a especialista. Infecções As Infecções Relacionadas à Assistência em Saúde (IRAS) são infecções adquiridas durante a prestação de cuidados de saúde, podendo ocorrer em qualquer ambiente onde procedimentos médicos ou estéticos sejam realizados. No caso de procedimentos estéticos, o risco de IRAS aumenta em tratamentos invasivos, quando a barreira protetora da pele é rompida, facilitando a entrada de microrganismos. A falta de higiene, a esterilização inadequada dos equipamentos, o uso de produtos contaminados e erros técnicos podem contribuir para o surgimento dessas infecções, que podem variar de leves a graves, exigindo cuidados médicos imediatos. Entre as bactérias mais comuns associadas às infecções em procedimentos estéticos, destacam-se: Staphylococcus aureus (incluindo MRSA): Essa bactéria está frequentemente associada a infecções de pele, feridas cirúrgicas, e pode causar abscessos e infecções graves, como septicemia. Pseudomonas aeruginosa: frequentemente encontrada em ambientes de saúde, esta bactéria pode levar a infecções em feridas, especialmente em procedimentos cirúrgicos e tratamentos invasivos. Mycobacterium: conhecidas por causar infecções de pele após procedimentos como lipoaspiração e preenchimentos faciais, essas bactérias podem ser difíceis de tratar e requerem terapia antibiótica prolongada. Escherichia coli (E. coli): embora normalmente presente no intestino humano, quando introduzida acidentalmente em feridas, pode causar infecções graves. Cuidados importantes Para a Dra. Jessica, a principal forma de evitar a infecção começa na escolha do profissional e do local em que será realizado o procedimento. “Procedimentos estéticos devem ser feitos apenas por médicos, que são profissionais habilitados para administrar as eventuais complicações. Por isso, antes de contratar este tipo de serviço, é importante verificar se o profissional é médico, qual a sua especialização, se o local tem licenciamento e até buscar referências, optando por alguém que tenha boa reputação e bom histórico”, explica a infectologista. Além da escolha, a Dra. Jessica enfatiza a importância do cuidado pré e pós-operatório, incluindo a limpeza adequada do local em que foi (será) feito o procedimento (idealmente em centros cirúrgicos hospitalares) e o monitoramento de sinais de infecção. “A conscientização sobre os riscos é essencial, especialmente com o aumento de intervenções estéticas, que, embora seguras quando realizadas corretamente, podem apresentar riscos quando os protocolos de saúde não são seguidos rigorosamente”, finaliza a especialista. Sobre a especialista:Dra. Jessica Ramos é graduada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Infectologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e doutorado em Ciências também pela USP. A especialista integra o Núcleo de Infectologia do Hospital Sírio-Libanês e é membro de importantes comitês de doenças infecciosa, entre eles da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). Créditos: https://www.freepik.com/
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Especialista alerta para a importância da vacinação e diagnóstico precoce, especialmente entre bebês, grupo mais vulnerável à doença São Paulo, novembro de 2024 – Segundo dados do boletim epidemiológico da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), em 2024, as infecções por coqueluche na cidade de São Paulo cresceram 3.435% em comparação a 2023. Até o início de novembro deste ano, foram registrados 495 casos confirmados, enquanto no mesmo período do ano passado houve apenas 14 casos. Em 2022, São Paulo contabilizou apenas uma ocorrência da doença, sendo que a última morte por coqueluche foi registrada em 2019. Esse aumento significativo dos casos confirmados vem preocupando especialistas. De acordo com a Dra. Jessica Fernandes Ramos, infectologista e integrante do núcleo de infectologia do Hospital Sírio-Libanês, essa elevação nos números pode ser atribuída a uma combinação de três fatores principais. O primeiro fator é o próprio comportamento da coqueluche, uma doença que apresenta ciclos epidêmicos a cada 5 a 8 anos. “Tivemos nosso último grande surto em 2014, mas a pandemia de COVID-19 provavelmente atrasou o ciclo natural da doença, resultando em um aumento significativo de casos agora”, explica a Dra. Jéssica. Outro fator relevante é o avanço na capacidade diagnóstica, especialmente com a ampliação dos testes de PCR para detecção da bactéria causadora da coqueluche. “O pós-COVID trouxe uma maior disponibilidade do diagnóstico molecular, já que mais laboratórios passaram a oferecer o exame PCR, que detecta o DNA da bactéria. Antes, essa análise dependia de culturas realizadas em laboratórios de referência”, ressalta a infectologista. O terceiro fator é a queda na cobertura vacinal, que elevou o número de pessoas suscetíveis à infecção. Segundo a Dra. Jéssica, esse declínio na vacinação tem impacto direto na ocorrência de casos, especialmente em grupos de risco, como bebês. Grupos de risco A situação é especialmente preocupante para crianças com menos de seis meses, que ainda não completaram o esquema vacinal e têm vias aéreas menores e mais vulneráveis. “Esses bebês correm maior risco de desenvolver insuficiência respiratória devido à intensidade da tosse, que pode levar a baixa oxigenação, vômitos e necessidade de hospitalização”, afirma a médica. Os adultos, mesmo quando apresentam apenas sintomas leves de resfriado, podem atuar como vetores da coqueluche e transmitir a infecção para bebês, incluindo aqueles que ainda não frequentam creches. “Quem aparece como principal vetor são os pais. Mesmo para uma criança que fica em casa nos primeiros meses de vida, o adulto é o portador. Ele excreta a bactéria por até três semanas, muitas vezes sem lembrar que teve um resfriado forte”, alerta a especialista. A infectologista reforça a importância do diagnóstico precoce e das medidas de prevenção, como uso de máscara e tratamento com antibióticos. “Com cinco dias de antibiótico, a pessoa deixa de transmitir a doença. Quando identificamos um caso positivo, usamos antibióticos preventivamente para evitar a disseminação”, explica. Medidas preventivas recomendadas Vacinação: Gestantes e pessoas que convivem ou cuidam de bebês com menos de seis meses devem tomar a dose de reforço da vacina tríplice bacteriana acelular (dTpa), recomendada para adultos. Além disso, é essencial que as crianças sejam vacinadas conforme o calendário vacinal: aos 2, 4 e 6 meses, com doses de reforço aos 15 meses e aos 4 anos. Cuidados para pessoas com sintomas: Indivíduos com sintomas de tosse prolongada devem procurar diagnóstico médico, pois a coqueluche tem tratamento com antibióticos simples, que interrompem a transmissão. Esse aumento nos casos serve como um alerta para a importância da vacinação e do diagnóstico precoce da coqueluche, especialmente em um momento de baixa cobertura vacinal. “É fundamental que toda a população esteja atenta a esses cuidados para proteger os mais vulneráveis e controlar a disseminação da doença”, conclui a Dra. Jéssica Ramos. Créditos da imagem: https://www.freepik.com/







