Infectologista explica aumento dos casos e importância do diagnóstico correto São Paulo, maio de 2025 – Casos de arboviroses e viroses no Brasil aumentam a cada ano e representam um desafio crescente nos atendimentos hospitalares. De acordo com o Ministério da Saúde, só em 2025, mais de 1 milhão de casos prováveis de dengue, a arbovirose mais comum no país, foram notificados, e mais de 680 mortes pela doença já foram confirmadas. No campo das viroses respiratórias, doenças como COVID-19 e Influenza A continuam com forte presença. Segundo o boletim Infogripe mais recente da Fiocruz, nas últimas quatro semanas epidemiológicas, 30,1% dos casos positivos foram de Influenza A. A doença, inclusive, superou a COVID como a principal causa de morte por síndrome respiratória aguda grave entre os idosos. Apesar da incidência em larga escala, arboviroses e viroses se espalham de formas distintas, o que reforça a importância da atenção aos detalhes durante as rotinas no dia a dia. “As arboviroses são doenças causadas por vírus transmitidos por vetores, principalmente mosquitos, como o Aedes aegypti. Já as viroses respiratórias são transmitidas diretamente entre pessoas ou por contato com superfícies contaminadas”, explica a infectologista Dra. Jéssica Ramos, que integra o Núcleo de Infectologia do Hospital Sírio-Libanês. A semelhança dos sintomas é um dos principais obstáculos para o diagnóstico correto. Por isso, alguns dos desafios do sistema de saúde pública no Brasil tem sido investir em pesquisas para o desenvolvimento de vacinas e tratamentos, além de ampliar os insumos disponíveis para testes e análises laboratoriais. “O maior dilema das arboviroses e viroses é o diagnóstico clínico. Ambas podem se manifestar com febre, dor no corpo, mal-estar, náuseas e cefaleia. Por isso, é essencial que a avaliação médica considere o histórico epidemiológico e, sempre que possível, utilize testes laboratoriais para confirmação”, destaca a Dra. A especialista reforça que a circulação simultânea de vírus distintos, como dengue, zika e chikungunya, ou Influenza e COVID-19, agrava o cenário. “Quando o paciente apresenta sintomas genéricos, a presença simultânea de mais de um vírus circulando na comunidade dificulta o diagnóstico e pode atrasar o início do tratamento adequado. Isso tem impacto direto na recuperação do paciente e no controle da transmissão”, afirma. Outro ponto de atenção é a automedicação.“Antitérmicos e anti-inflamatórios são muito utilizados sem prescrição médica, o que pode mascarar sintomas importantes ou agravar quadros como o da dengue hemorrágica, por exemplo”, alerta a infectologista. Ao menor sinal de febre alta, dor muscular intensa, ou dificuldade respiratória, a recomendação é procurar atendimento médico, especialmente em grupos de risco como crianças, idosos e gestantes. Segundo a infectologista, o diagnóstico é feito com base em dados clínicos, epidemiológicos e laboratoriais. “Testes sorológicos e de biologia molecular, são recursos importantes para a identificação do agente viral. No caso da dengue, por exemplo, o teste NS1 pode ser solicitado logo nos primeiros dias. Já para Influenza ou COVID-19, exames de antígeno ou RT-PCR são indicados, deve ser feito a partir da manifestação dos primeiros sinais de infecção respiratória até o 8º dia de sintomas”, detalha. A médica também destaca que, quanto mais precoce for a investigação diagnóstica, maior a chance de evitar complicações e reduzir a transmissão comunitária. “Além disso, o diagnóstico correto permite a condução de medidas de suporte adequadas, evita uso desnecessário de antibióticos e contribui com os sistemas de vigilância epidemiológica”, conclui. Sobre a especialista Dra. Jessica Ramos é graduada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Infectologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e doutorado em Ciências também pela USP. A especialista integra o Núcleo de Infectologia do Hospital Sírio-Libanês e é membro de importantes comitês de doenças infecciosas, entre eles da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). Créditos da imagem: https://www.freepik.com/
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Pacientes imunossuprimidos: como prevenir infecções virais no dia a dia
Infectologista dá dicas essenciais para reduzir riscos e proteger quem tem o sistema imunológico comprometido São Paulo, abril de 2025. Pacientes imunossuprimidos, como transplantados, pessoas em tratamento oncológico, com doenças autoimunes ou HIV, apresentam maior vulnerabilidade a vírus comuns, que podem evoluir para quadros graves e até fatais. Por isso, a prevenção é a principal aliada na rotina de cuidados. Entre os principais vírus que representam risco aumentado para pacientes imunossuprimidos estão o citomegalovírus, que pode se reativar e causar complicações como pneumonite, retinite e até encefalite; o vírus Epstein-Barr, associado ao desenvolvimento de linfomas nesse grupo; além da influenza e da COVID-19, que têm potencial de evoluir para quadros respiratórios graves. Outro vírus de atenção especial é o sincicial respiratório, particularmente perigoso para crianças e idosos com imunidade comprometida. “Esses vírus, que muitas vezes podem ser leves em pessoas saudáveis, podem causar desfechos graves e até fatais em quem tem imunidade comprometida”, alerta a Dra. Jessica Fernandes Ramos, infectologista e integrante do núcleo de infectologia do Hospital Sírio-Libanês. Como prevenir Uma das estratégias mais importantes é a vacinação. Vacinas inativadas, como as de gripe, hepatite B, COVID-19 e pneumococo, devem ser aplicadas sob orientação médica. Já as vacinas com vírus vivos atenuados, como a da febre amarela, exigem avaliação caso a caso. No caso de pacientes imunossuprimidos, até para se vacinar, o planejamento é essencial. Quando possível, as imunizações devem ser feitas pelo menos duas a quatro semanas antes do início de terapias imunossupressoras, para garantir melhor resposta imunológica. “Para essa população, a vacinação é uma barreira essencial. E isso inclui todos os que estão envolvidos no tratamento desse paciente. Muitas vezes, vacinar as pessoas ao redor é tão importante quanto vacinar o próprio paciente”, explica Jéssica. Além da vacinação, é essencial reforçar cuidados como, higiene frequente das mãos, uso de máscaras em ambientes de risco, evitar aglomerações e locais fechados, manter os ambientes bem ventilados e limpos, e orientar familiares e cuidadores sobre todos os cuidados com esses pacientes. A informação fortalece a adesão ao cuidado e reduz riscos. Também é fundamental estar atento a sinais precoces de infecção. Em imunossuprimidos, sintomas como febre baixa, tosse, fadiga ou desconforto respiratório podem ser os primeiros alertas de uma infecção que evolui rápido. “Esses pacientes não possuem a mesma capacidade de resposta imunológica. Infecções que seriam autolimitadas em outros casos podem se transformar em emergências médicas”, reforça a especialista. Pessoas imunossuprimidas precisam de vigilância constante para evitar complicações graves. “Todo cuidado é pouco. A combinação de vacinação adequada, cuidados preventivos diários e atenção aos primeiros sinais de infecção pode salvar vidas”, finaliza a infectologista. Sobre a especialista Dra. Jessica Ramos é graduada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Infectologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e doutorado em Ciências também pela USP. A especialista integra o Núcleo de Infectologia do Hospital Sírio-Libanês e é membro de importantes comitês de doenças infecciosas, entre eles da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). Créditos da imagem: https://www.freepik.com/











