Pacientes imunossuprimidos: como prevenir infecções virais no dia a dia

Infectologista dá dicas essenciais para reduzir riscos e proteger quem tem o sistema imunológico comprometido

São Paulo, abril de 2025. Pacientes imunossuprimidos, como transplantados, pessoas em tratamento oncológico, com doenças autoimunes ou HIV, apresentam maior vulnerabilidade a vírus comuns, que podem evoluir para quadros graves e até fatais. Por isso, a prevenção é a principal aliada na rotina de cuidados.

Entre os principais vírus que representam risco aumentado para pacientes imunossuprimidos estão o citomegalovírus, que pode se reativar e causar complicações como pneumonite, retinite e até encefalite; o vírus Epstein-Barr, associado ao desenvolvimento de linfomas nesse grupo; além da influenza e da COVID-19, que têm potencial de evoluir para quadros respiratórios graves. Outro vírus de atenção especial é o sincicial respiratório, particularmente perigoso para crianças e idosos com imunidade comprometida.

“Esses vírus, que muitas vezes podem ser leves em pessoas saudáveis, podem causar desfechos graves e até fatais em quem tem imunidade comprometida”, alerta a Dra. Jessica Fernandes Ramos, infectologista e integrante do núcleo de infectologia do Hospital Sírio-Libanês.

Como prevenir

Uma das estratégias mais importantes é a vacinação. Vacinas inativadas, como as de gripe, hepatite B, COVID-19 e pneumococo, devem ser aplicadas sob orientação médica. Já as vacinas com vírus vivos atenuados, como a da febre amarela, exigem avaliação caso a caso.

No caso de pacientes imunossuprimidos, até para se vacinar, o planejamento é essencial. Quando possível, as imunizações devem ser feitas pelo menos duas a quatro semanas antes do início de terapias imunossupressoras, para garantir melhor resposta imunológica.

“Para essa população, a vacinação é uma barreira essencial. E isso inclui todos os que estão envolvidos no tratamento desse paciente. Muitas vezes, vacinar as pessoas ao redor é tão importante quanto vacinar o próprio paciente”, explica Jéssica.

Além da vacinação, é essencial reforçar cuidados como, higiene frequente das mãos, uso de máscaras em ambientes de risco, evitar aglomerações e locais fechados, manter os ambientes bem ventilados e limpos, e orientar familiares e cuidadores sobre todos os cuidados com esses pacientes. A informação fortalece a adesão ao cuidado e reduz riscos.

Também é fundamental estar atento a sinais precoces de infecção. Em imunossuprimidos, sintomas como febre baixa, tosse, fadiga ou desconforto respiratório podem ser os primeiros alertas de uma infecção que evolui rápido. “Esses pacientes não possuem a mesma capacidade de resposta imunológica. Infecções que seriam autolimitadas em outros casos podem se transformar em emergências médicas”, reforça a especialista.

Pessoas imunossuprimidas precisam de vigilância constante para evitar complicações graves. “Todo cuidado é pouco. A combinação de vacinação adequada, cuidados preventivos diários e atenção aos primeiros sinais de infecção pode salvar vidas”, finaliza a infectologista.

Sobre a especialista Dra. Jessica Ramos é graduada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Infectologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e doutorado em Ciências também pela USP. A especialista integra o Núcleo de Infectologia do Hospital Sírio-Libanês e é membro de importantes comitês de doenças infecciosas, entre eles da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

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