Especialista alerta para a importância da vacinação e diagnóstico precoce, especialmente entre bebês, grupo mais vulnerável à doença
São Paulo, novembro de 2024 – Segundo dados do boletim epidemiológico da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), em 2024, as infecções por coqueluche na cidade de São Paulo cresceram 3.435% em comparação a 2023. Até o início de novembro deste ano, foram registrados 495 casos confirmados, enquanto no mesmo período do ano passado houve apenas 14 casos. Em 2022, São Paulo contabilizou apenas uma ocorrência da doença, sendo que a última morte por coqueluche foi registrada em 2019.
Esse aumento significativo dos casos confirmados vem preocupando especialistas. De acordo com a Dra. Jessica Fernandes Ramos, infectologista e integrante do núcleo de infectologia do Hospital Sírio-Libanês, essa elevação nos números pode ser atribuída a uma combinação de três fatores principais.
O primeiro fator é o próprio comportamento da coqueluche, uma doença que apresenta ciclos epidêmicos a cada 5 a 8 anos. “Tivemos nosso último grande surto em 2014, mas a pandemia de COVID-19 provavelmente atrasou o ciclo natural da doença, resultando em um aumento significativo de casos agora”, explica a Dra. Jéssica.
Outro fator relevante é o avanço na capacidade diagnóstica, especialmente com a ampliação dos testes de PCR para detecção da bactéria causadora da coqueluche. “O pós-COVID trouxe uma maior disponibilidade do diagnóstico molecular, já que mais laboratórios passaram a oferecer o exame PCR, que detecta o DNA da bactéria. Antes, essa análise dependia de culturas realizadas em laboratórios de referência”, ressalta a infectologista.
O terceiro fator é a queda na cobertura vacinal, que elevou o número de pessoas suscetíveis à infecção. Segundo a Dra. Jéssica, esse declínio na vacinação tem impacto direto na ocorrência de casos, especialmente em grupos de risco, como bebês.
Grupos de risco
A situação é especialmente preocupante para crianças com menos de seis meses, que ainda não completaram o esquema vacinal e têm vias aéreas menores e mais vulneráveis. “Esses bebês correm maior risco de desenvolver insuficiência respiratória devido à intensidade da tosse, que pode levar a baixa oxigenação, vômitos e necessidade de hospitalização”, afirma a médica.
Os adultos, mesmo quando apresentam apenas sintomas leves de resfriado, podem atuar como vetores da coqueluche e transmitir a infecção para bebês, incluindo aqueles que ainda não frequentam creches. “Quem aparece como principal vetor são os pais. Mesmo para uma criança que fica em casa nos primeiros meses de vida, o adulto é o portador. Ele excreta a bactéria por até três semanas, muitas vezes sem lembrar que teve um resfriado forte”, alerta a especialista.
A infectologista reforça a importância do diagnóstico precoce e das medidas de prevenção, como uso de máscara e tratamento com antibióticos. “Com cinco dias de antibiótico, a pessoa deixa de transmitir a doença. Quando identificamos um caso positivo, usamos antibióticos preventivamente para evitar a disseminação”, explica.
Medidas preventivas recomendadas
Vacinação: Gestantes e pessoas que convivem ou cuidam de bebês com menos de seis meses devem tomar a dose de reforço da vacina tríplice bacteriana acelular (dTpa), recomendada para adultos. Além disso, é essencial que as crianças sejam vacinadas conforme o calendário vacinal: aos 2, 4 e 6 meses, com doses de reforço aos 15 meses e aos 4 anos.
Cuidados para pessoas com sintomas: Indivíduos com sintomas de tosse prolongada devem procurar diagnóstico médico, pois a coqueluche tem tratamento com antibióticos simples, que interrompem a transmissão. Esse aumento nos casos serve como um alerta para a importância da vacinação e do diagnóstico precoce da coqueluche, especialmente em um momento de baixa cobertura vacinal. “É fundamental que toda a população esteja atenta a esses cuidados para proteger os mais vulneráveis e controlar a disseminação da doença”, conclui a Dra. Jéssica Ramos.
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